Há cerca de um ano, escrevemos na Invade sobre o MED-Routes. Apresentávamos então um projeto ainda em construção e uma ambição clara: fazer da Rota Histórica das Linhas de Torres um território de experimentação para um turismo mais sustentável, capaz de aproximar património, natureza, comunidades locais e operadores turísticos.
Concluídos os vinte e sete meses do projeto, é possível perceber o que essa experiência trouxe à Rota. Cofinanciado pelo Programa Interreg Euro-MED, o MED-Routes reuniu oito parceiros de sete países para desenvolver um modelo de turismo cultural de baixo impacto, inspirado nos princípios do slow tourism (“turismo sem pressas”) e aplicado a quatro Rotas Culturais do Conselho da Europa.
A liderança da participação portuguesa coube formalmente ao Município de Vila Franca de Xira e o trabalho desenvolvido abrangeu o território da Rota Histórica das Linhas de Torres, integrada na Rota Cultural Europeia Destinos de Napoleão, tendo envolvido representantes dos municípios que constituem a RHLT, operadores turísticos, agentes económicos, entidades culturais e instituições académicas.
O desafio consistia em articular a dimensão histórica e patrimonial das Linhas de Torres com a paisagem, os recursos naturais e as atividades das comunidades locais. Desse trabalho nasceram dois eco-itinerários: Fit & Green – Go Fit Where History Goes Greener (“Verde e em Forma – Em Forma por onde a História se torna mais Verde”) e Bistrot Spree – The Ultimate Palais Experience (“Ronda de Bistrôs – A Experiência Suprema do Palato/Palácio”).
Para além dos itinerários, o MED-Routes produziu planos de ação, materiais formativos, vídeos, mapas e instrumentos destinados a apoiar a aplicação do modelo noutros territórios. Entre eles encontra-se um guia de transferência de conhecimento, concebido para ajudar autoridades locais, gestores de rotas culturais e operadores turísticos a criar e adaptar os seus próprios eco-itinerários.
O projeto desenvolveu também o Selo Verde MED-Routes, uma proposta de certificação para eco-itinerários e agentes turísticos que cumpram critérios de sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e respeito pelo património cultural.
Os resultados alcançados na RHLT foram apresentados em dezembro de 2025, num fórum que reuniu mais de trinta representantes institucionais, operadores turísticos e agentes culturais. No final do encontro foi assinada uma Carta de Compromisso, através da qual os agentes locais manifestaram a intenção de prosseguir a colaboração iniciada durante o projeto.
Se, no conjunto dos sete países participantes, o MED-Routes deu origem a oito eco-itinerários e envolveu mais de mil pessoas em 21 encontros, laboratórios e ações de intercâmbio, para a Rota Histórica das Linhas de Torres o resultado mais próximo encontra-se nos dois itinerários agora criados e nas relações estabelecidas entre quem preserva, interpreta e dá vida ao território.
O MED-Routes termina enquanto projeto europeu, mas deixa ferramentas e propostas que poderão continuar a ser desenvolvidas. Entre fortes e baterias militares, caminhos, paisagens e sabores, as rotas que atravessaram o passado abrem também novas formas de percorrer o futuro.